Programa Viver Mais Paraná garante moradia digna e saudável para os idosos

Maior iniciativa de habitação popular do País voltada para a terceira idade atende pessoas acima dos 60 anos sem casa própria, com renda familiar de um a seis salários mínimos. O público selecionado pela equipe social da Cohapar pode residir nas casas por tempo indeterminado, ao custo mensal de apenas 15% de um salário-mínimo.
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29/04/2022 - 08:40
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Uma vida longa e bem vivida é um privilégio para algumas pessoas, mas em alguns casos envelhecer envolve uma série de dificuldades e medos. Com o passar dos anos, a idade chega e muitos idosos se encontram em situações de abandono, pobreza, falta de acesso à saúde e itens de necessidade básica, entre tantas outras questões, incluindo a mais importante de todas: a moradia.

Laurindo Marinho, de 72 anos, é um exemplo. Chegou à longevidade com histórias tristes para contar. Perdeu os pais ainda jovem e seus avós partiram pouco depois, quando ele tinha apenas 19. Não ficou com herança e precisou tocar a vida como caseiro. Quando finalmente conseguiu se aposentar e guardar dinheiro para construir uma casa, foi enganado em uma venda e trocou a morada própria por uma irregular. Perdeu tudo outra vez.

Irineu Wortigoski, de 77 anos, conhece bem o sentimento do amigo. Perdeu a esposa há 20 anos e tem três filhos, mas mora sozinho. Além disso, a vida até esses dias era um aluguel caro em uma instalação precária.

Mas a solidão e a precariedade deixaram de existir na vida de ambos quando se reencontraram no Condomínio do Idoso de Prudentópolis, região Centro-Sul do Estado, o terceiro a ser construído no Paraná. O conjunto habitacional voltado ao atendimento de idosos com renda de um a seis salários mínimos faz parte do Viver Mais, modalidade do programa Casa Fácil Paraná.

“Eu perdi tudo, não tinha sossego, onde eu morava era um corredor de problemas, não me deixavam dormir. Agora conversamos todo dia com os vizinhos, para mim tá bom, sossegado, tenho cada vez mais amigos”, disse Laurindo, que faz compras para o parceiro Irineu, que tem dificuldade de mobilidade por conta de um problema no joelho.

“Aqui a gente se ajuda. Aparece só gente boa por aí pra conversar, sou feliz de morar aqui. O governador teve um plano bom de fazer esse condomínio para quem precisa”, completou.

“Eu fiquei sozinho, então achei melhor vir. Eu não posso caminhar por causa do joelho, morava pagando aluguel, era R$ 600, mais a água e a luz. Acho que nunca ia morar numa casa boa assim, com forro de concreto. Eu acho muito bom. Me sinto muito bem cuidado, a vizinhança é boa, convivo com outros, tem sempre vizinhos em roda, de noite a gente dorme quieto, foi uma benção. Eu gosto de morar aqui”, declarou Irineu.

VIVER MAIS – Maior iniciativa de habitação popular do País voltada para a terceira idade, o Viver Mais Paraná atende pessoas acima dos 60 anos sem casa própria, com renda familiar de um a seis salários mínimos. A prioridade de atendimento é para aqueles com menor poder aquisitivo.

O público selecionado pela equipe social da Cohapar pode residir nas casas por tempo indeterminado, ao custo mensal de apenas 15% de um salário-mínimo, que atualmente equivale a R$ 181,80. O Governo do Estado investiu mais de R$ 12 milhões nos três que já estão em funcionamento: R$ 3,8 milhões no condomínio de Jaguariaíva; R$ 4,3 milhões no de Foz do Iguaçu; e R$ 4 milhões em Prudentópolis.

O primeiro inaugurado foi o de Jaguariaíva, nos Campos Gerais, tornando-se o ponto de partida para mudar a vida dos idosos paranaenses. Paraílio Lopes da Silva, de 66 anos, mora no local. “Eu não tive casa própria, mas nunca perdi a esperança. Até que um dia recebi uma ligação e fiquei muito feliz. Uma casinha boa dessa aqui, a gente está morando sossegado, é um aluguel mínimo. Gosto de conviver aqui e minha vida melhorou, porque eu estou bem acomodado. Eu gosto”, disse.

O Condomínio do Idoso de Jaguariaíva também acabou com as dificuldades de Benedita Ribeiro Lopes, de 68 anos, que morava em uma casa que, além de não ter água e luz, não tinha teto, não tinha nada.

“Eu tinha que colocar uma lona, um guarda chuva em cima da minha cama para eu poder me agasalhar. Estava num maior desespero. Eu morava em um barraco, agora moro em um palácio, minha casa é linda, é bem arrumadinha. Não tem coisa melhor no mundo. Quando mudei pra cá foi o dia mais feliz da minha vida, uma bênção”, disse.

Cleuza Aparecida Alves, aos 60 anos, conta como sua vida mudou após o novo lar, já que o marido de 64 anos tem dificuldade de mobilidade, sequela deixada por um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Além disso, viviam de aluguel com valor acima do que podiam pagar. Agora, o casal não quer mais sair, pois no condomínio podem contar inclusive com rápida assistência da saúde pública, por exemplo.

“Antes era mais difícil, a gente sofria bastante. Daí a gente veio pra cá, ninguém incomoda, a gente cuida da gente. Saímos só para passar em uma farmácia, no mercado. A gente vai ficar aqui até quando puder. Eu gosto daqui, o lugar é calmo, quieto. De vez em quando preciso de um médico, um hospital, a gente liga e rapidamente a ambulância vem buscar, então para mim está bom”, disse.

O Condomínio do Idoso de Foz do Iguaçu também transformou a vida de uma série de idosos, entre eles Cleusa dos Santos, de 67 anos, que nunca deixou de sonhar com uma moradia própria. “Escutei o governador falando desses condomínios numa entrevista, ele não tinha feito ainda, só estava cogitando. Pensei ‘eu vou ganhar uma casinha lá. Com fé vou morar lá’, e estou aqui, porque eu merecia. Mudou a minha vida”, disse.

ESTRUTURA – A estrutura dos conjuntos conta com academia ao ar livre, ambulatório, centro de convivência, horta comunitária, biblioteca, sala de informática e quiosques de jogos, além de sistema de segurança 24 horas. Com o avanço do programa, os projetos passaram a incorporar também outros itens, como piscina térmica, sistema de energia solar e de reaproveitamento de água da chuva.

A engenharia e a arquitetura do condomínio também levam em conta aspectos de sustentabilidade ambiental, como sistemas de captação de energia solar, captação de águas das chuvas e poços artesianos.

Segundo o governador Carlos Massa Ratinho Junior, os projetos foram pensados para suprir necessidades de uma parcela cada vez maior da população paranaense. “Daqui a dez anos, o Paraná vai ter mais idosos do que crianças, então nós precisamos pensar nessas pessoas, que depois de certa idade não conseguem mais financiar a casa própria”, afirmou.

“Muitos acabam sozinhos, com depressão, então nós criamos uma política habitacional para idosos em que vão poder conviver com outras pessoas, ter assistência médica e lazer com o pagamento de um pequeno pedaço da aposentadoria. Isso é respeito, cuidado e dignidade para os nossos idosos”, afirmou o governador.

Neste modelo, os imóveis não são doados ou vendidos ao público beneficiado, mas cedidos por tempo indeterminado para que, após a sua desocupação, eles sejam novamente direcionados para o atendimento ao público-alvo com o pagamento de um aluguel social. Após a desocupação das unidades, elas são direcionadas ao atendimento dos próximos inscritos no cadastro online da companhia, conforme critérios de prioridade de atendimento, o que garante, de acordo com o presidente da Cohapar, o caráter permanente do programa.

O casal Ney Jorge Câmara, de 65, e Marli Farias Câmara, de 61, gostam da infraestrutura do Condomínio do Idoso de Jaguariaíva. “O aluguel era muito caro e a vida melhorou aqui porque é mais barato e especial, completamente sossegado, bem seguro. Eu gosto de tudo. A gente é caseiro mesmo e pra isso não tem coisa melhor. A estrutura da casa é boa, gosto da convivência, é muito tranquilo”, destacou Ney. Em datas especiais a equipe responsável pela administração do espaço promove brincadeiras. “No Dia dos Idosos teve festinha. Pra se divertir não tem lugar melhor”.

“Daqui eu não vou sair, estou muito alegre. Eu já passei fome de sair para catar latinha para sobreviver. Nós moramos em casa que tinha rato, barata, sofremos muito. Nessa casa não tem barulho, não tem chuva. Aqui tem muita esperança. A minha vida está transformada. Sonhava com uma casa aqui. É muita emoção, eu ainda não acredito que estou aqui”, afirmou Marli.

condomínio do idoso
Foto: José Fernando Ogura/AEN


MAIS UNIDADES – Em parceria com as prefeituras, a Cohapar contrata construtoras via licitação para a construção de condomínios horizontais fechados, com 40 moradias cada, para casais ou pessoas solteiras, com completa infraestrutura de saúde, assistência social e lazer. Até o fim de 2022, mais de 840 casas serão construídas em 21 municípios, com investimento total de R$ 80 milhões diretos do Governo do Estado.

Os primeiros conjuntos entregues foram em Jaguariaíva, Foz do Iguaçu e Prudentópolis. Cornélio Procópio, Irati e Telêmaco Borba possuem empreendimentos em obras, enquanto Cascavel, Francisco Beltrão e Ponta Grossa já têm licitações concluídas e perspectiva de início de obras em breve. Também estão sendo elaborados projetos para Arapongas, Campo Mourão, Cianorte, Dois Vizinhos, Fazenda Rio Grande, Guarapuava, Londrina, Maringá, Palmas, Pato Branco, Piraquara, e Sarandi.

“O Viver Mais preenche uma lacuna no sistema habitacional brasileiro com o atendimento das pessoas idosas, que não conseguem mais realizar o sonho da casa própria por causa da idade”, explicou o presidente da Cohapar, Jorge Lange. “Todos os detalhes dos projetos são pensados para que essa pessoa acima dos 60 anos possa ter um envelhecimento com segurança, prazer de viver e com os cuidados que o Estado pode dar, em parceria com os municípios”.

Os convênios firmados com as prefeituras preveem contrapartidas que incluem a doação das áreas para a construção dos conjuntos e obras de infraestrutura no entorno dos empreendimentos. Os municípios ainda devem prestar atendimento periódico aos moradores com a visita de profissionais das áreas de saúde e assistência social ao condomínio.

Recentemente, a Cohapar também firmou parcerias com as universidades estaduais, por meio das quais estudantes do ensino superior poderão realizar estágios nos condomínios dos idosos. “Os condomínios terão a participação de estudantes de medicina, enfermagem, assistência social e educação física, que terão a oportunidade de contribuir com os idosos enquanto aperfeiçoam os seus estudos”, informou Lange.

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