Japurá abraça a acerola e faz da fruta fonte de emprego, renda no campo e desenvolvimento

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22.11.2021- Produção de acerola em Japurá.
Mauro Aparecido Zani .
Foto Gilson Abreu/AEN
© Gilson Abreu/AEN

2005 foi o ano da virada para os Zani. Eles decidiram largar o barracão de frango e abraçar de vez a acerola, cultura que começava a ganhar espaço na pequena Japurá, cidade de 9.573 habitantes, no Noroeste do Paraná. “Marcamos o gol da nossa vida”, diz, escancarando o sorriso, Márcia dos Santos Zani.

A transição, explica ela, se deu em razão da impossibilidade de expansão da avicultura, o antigo ganha-pão, asfixiada pelos limites da pequena propriedade e pelo crescimento da área urbana de Japurá, cinturão cada vez mais próximo da porteira do sítio da família. “Abraçamos a acerola”, conta.

A história de vida dos Zani é comum em Japurá. E, a cada ano, ganha mais personagens, o que garante à cidade o status informal de capital paranaense da acerola. Atualmente, de acordo com a Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), 80 produtores se dedicam à pequena fruta avermelhada no município. Em 2020 produziram 1.900 toneladas – ou 51,6% das 3.681 toneladas produzidas pelo Paraná. Comércio que movimentou R$ 7,5 milhões.

“Estudei, pesquisei e achei que o mais viável era plantar acerola. Tem 15 anos que mexo com isso e não me arrependo”, afirma Iracema Dias Rodrigues, dona de 600 pés da fruta e de uma produção que, nos anos bons, bate na casa das 50 toneladas.

E nesses “tempos bons”, durante a colheita, o trator dos Zani não para na garagem. São dezenas de indas e vindas diárias puxando a carreta carregada de acerola. “Chamamos umas 13 pessoas para ajudar. Quem planta acerola sabe que não pode ficar um dia sem colher”, revela Mauro Aparecido Zani, cuja produção chega a 120 toneladas/ano.

INDÚSTRIA A opção de Japurá pela acerola ganha respaldo na indústria da transformação. São três complexos especializados na produção e comercialização da polpa instalados no município. Ou seja, mais de 90% da colheita dos agricultores familiares têm destino certo. “Há semanas que produzimos entre 7 e 8 mil quilos. Não fossem esses grandes compradores, não conseguimos dar vazão para tanta fruta”, diz Mauro.

Acelora que vira polpa para suco e ganha valor agregado na empresa Polpanorte, multiplicando os empregos e a renda na cidade. São 450 funcionários diretos para dar conta das 900 toneladas/ano de acerola que saem da indústria para abastecer os mercados nacional e internacional.

“Movimentamos 150 produtores, a maioria da região, ligados à agricultura familiar. Isso resulta em uma geração de renda acima de R$ 1 milhão”, revela o gerente cooperativo e industrial da empresa, Rogério Bessa.

A acerola é apenas parte do mix de produtos oferecidos pela indústria, entre 27 sabores e misturas de polpas, sete tipos de frutas congeladas, além de uma grande variedade de açaí. “Planejamos um crescimento de 400% em cinco anos, seja na parte industrial, de distribuição logística ou na força de vendas”, destaca o gerente. Além da sede em Japurá, a Polpanorte tem uma planta, especializada em açaí, em Benevides, no Pará, com 100 funcionários diretos.

MAIS PROJETOS A cidade, porém, quer mais. O Governo do Estado desenvolve dois projetos que buscam aumentar a produtividade da fruta. Onze agricultores do município começam a instalar, ainda neste ano, estufas de 970 metros quadrados para proteger a acerola das intempéries do tempo – são quatro floradas por ano, entre setembro e maio, pulando exatamente o período do inverno.

O investimento, feito pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, é de R$ 280 mil. “Será um cultivo protegido, cuidando do Sol, chuva e vento. Isso vai fazer a produtividade aumentar consideravelmente”, afirma Pamella Ghiseline Takase, secretária da Agricultura e do Meio Ambiente de Japurá.

Outra ação visa implantar uma megacooperativa na região, abraçando todas as potencialidades dos municípios vizinhos à Cianorte. “Ganharemos escala e capacidade de comercialização. Vai melhorar para quem planta acerola e carregar junto os demais produtos da região”, diz o chefe do Escritório Regional da Seab em Cianorte, Francisco Cascardo Neto.

Comércio da fruta movimentou R$ 7,5 milhões em Japurá em 2020. Foto: Gilson Abreu/AEN

TURISMO – Planejamento que faz a prefeita de Japurá, Adriana Cristina Polizer, acrescentar novos itens ao cardápio municipal da acerola. Com o avanço da vacinação e a diminuição dos indicadores da pandemia, ela estuda fazer da fruta um atrativo turístico. “Queremos voltar com o turismo rural, e acerola não pode ser deixada de lado. Há um potencial imenso. A acerola está ajudando e fortalecendo a economia do nosso município”, destaca.

SÉRIE – A acerola de Japurá faz parte da série de reportagens “Paraná que alimenta o mundo”, desenvolvida pela Agência Estadual de Notícias (AEN). O material mostra o potencial do agronegócio paranaense. Os textos são publicados sempre às segundas-feiras. A previsão é que as reportagens se estendam durante todo o ano de 2021.

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