Com chancela da OIE, Paraná vira zona livre de peste suína clássica independente

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Palotina - 28-10-2020 -Suinos - Suinocultura em Palotina -Foto : Jonathan Campos / AEN
© Jonathan Campos / AEN

Além de área livre de febre aftosa sem vacinação, a Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) confirmou nesta quinta-feira (27) mais um reconhecimento internacional ao Paraná: o de zona livre de peste suína clássica independente. O anúncio foi feito durante a 88ª Sessão Geral da Assembleia Mundial dos Delegados da OIE, em Paris, na França.

“É o resultado de um trabalho de muitos técnicos e do setor como um todo. Um passo importante, que permite ao Paraná avançar um pouco mais dentro deste competitivo mercado internacional. Poderemos vender a nossa carne para mais países, fazendo com que alguns bilhões de dólares entrem na nossa economia, gerando milhares de novos empregos e mais renda à população”, afirmou o governador Carlos Massa Ratinho Junior.

A classificação confirma definitivamente o Paraná fora de um grupo atualmente formado por 11 estados, garantindo vantagens sanitárias aos produtores locais no mercado internacional.

Essa chancela permite aos suinocultores paranaenses ganhar volume. No ano passado, por exemplo, foram produzidas no Paraná 936 mil toneladas de carne suína, aumento de 11,1% comparativamente a 2019. Rendimento que garante a vice-liderança no setor, atrás apenas de Santa Catarina, responsável por 29% do total nacional – produziu 1,3 milhão de toneladas de um total de 4,5 milhões de toneladas.

“Podemos sonhar com a liderança. O nosso pleito de isolar o Paraná foi reconhecido. Somos um bloco independente e agora estamos isolados de problemas que possam acontecer na divisa com o Norte e parte do Nordeste que não são livres”, destacou o secretário de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara.

“Para o Estado é uma segurança, uma garantia. Seremos mais agressivos no comércio mundial. Abatemos mais de 10 milhões de suínos por ano e com perspectiva de chegar a 15 milhões em breve”, acrescentou.

HISTÓRICO – O reconhecimento internacional foi concedido ao Paraná em 2016 pela OIE, mas ainda estava pendente a chancela como zona única, a chamada independência. Em dezembro de 2019, o Ministério da Agricultura já tinha publicado uma instrução normativa que reconhecia o Paraná como área livre peste suína clássica. A medida foi adotada porque a Zona Livre Específica da qual o Paraná fazia parte estava sob risco iminente de perder esse status sanitário devido ao registro de focos da peste suína em Alagoas, próximo à divisa com o Sergipe.

A peste suína clássica está erradicada no Paraná desde 1994, quando o Estado foi reconhecido oficialmente pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, junto com os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, como área livre da doença. Ocorre que desde 2005 a OIE decidiu que a partir de 2015 adotaria o sistema de reconhecimento regional para essa doença, a exemplo do que já faz com doenças aviárias (como a doença de NewCastle) e a febre aftosa.

Entre as medidas adotadas pelo Estado, desde então, estão a investigação na área de sanidade das granjas de suínos, com a realização de sorologia epidemiológica nos animais; a adoção de um sistema de proteção baseado na vigilância, auditável com apoio laboratorial, e também foram implementadas medidas de biossegurança no sistema produtivo.

BLOCOS – No Brasil, de acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, estão na zona não livre que ainda registra a doença: Alagoas, parte do Amazonas, Roraima, Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco.

A zona livre compreende Acre, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, São Paulo, Santa Catarina, Sergipe, Tocantins e, no Amazonas, os municípios de Guajará, Boca do Acre, o sul de Canutama e o sudoeste de Lábrea.

DOENÇA – A peste suína clássica é uma doença viral e está incluída na lista de notificação obrigatória pela OIE por ser de fácil difusão. Ela acomete somente suínos e não é transmitida para o ser humano. Os sinais clínicos mais comuns são transtornos circulatórios e lesões cutâneas, acompanhadas de conjuntivite em animais adultos e distúrbios neurológicos em suínos jovens. O animal também pode apresentar febre alta, paralisia nas patas traseiras e manchas avermelhadas pelo corpo.

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