SEM AGROTÓXICOS

Certificação de produtos orgânicos pelo Tecpar cresce 33% em cinco anos

Publicado em 18/04/2015 08:00
O número de certificados para produtos orgânicos emitidos pelo Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) deu um salto de 33% nos últimos cinco anos. Só no ano passado, 195 propriedades rurais foram auditadas e certificadas pela instituição no Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Amazonas, Santa Catarina e Ceará, além do Peru e Chile. Em 2010, foram 146. A maioria é do Paraná, que tem 128 propriedades certificadas.

O certificado de conformidade orgânica tem duração de um ano, mas algumas auditorias são realizadas semestralmente como é o caso de culturas de ciclo curto, como hortaliças, ou no de produções paralelas, em que um produto orgânico é plantado na mesma propriedade que produz vegetais pelo método convencional.

De acordo com o Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER) são produzidos 130 mil toneladas de alimentos orgânicos no Paraná por ano. “São produtos oriundos de lavouras que não utilizam agrotóxicos, adubos, hormônios ou transgênicos. Os alimentos são produzidos levando em consideração o meio ambiente e a vida dos agricultores e seus familiares”, explica o coordenador estadual de olericultura Iniberto Hanermschmitd.

Entre os principais alimentos orgânicos estão as hortaliças, que mantém um crescimento de 20 a 30% no ano devido ao rápido ciclo de plantação e colheita. Fazem parte desse grupo alface, repolho, tomate, cenoura, pimentão, pepino, abobrinha, couve-flor, brócolis, beterraba, rabanete, batata e cebola. Há também os produtos orgânicos básicos e bastante comercializados como soja, milho, trigo, feijão, mandioca, arroz, café, cana de açúcar, erva mate, além das frutas e plantas medicinais.

CERTIFICAÇÃO – Os alimentos orgânicos produzidos em propriedades rurais e certificados pelo Tecpar podem ser encontrados em três categorias: origem animal, vegetal e em processamento. Nas regiões de Pinhais e Francisco Beltrão, por exemplo, estão concentrados os alimentos de descendência animal como leite, ovos e rações para aves.

Já nos municípios de Morretes e Prudentropolis encontram-se produtos processados como é o caso de geleias, massas e compotas. Enquanto isso, os produtos de origem vegetal, como frutas e hortaliças, possuem maior produção e comercialização e estão espalhadas em 50 regiões do Paraná.

A gerente do Tecpar Cert, Tânia de Carvalho, explica que a lei sobre a produção orgânica no Brasil foi regulamentada em 2010 e que o Tecpar Cert foi o primeiro instituto a ser credenciado tanto pelo Inmetro quanto pelo Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para certificar a produção orgânica brasileira.

“De lá para cá, o Tecpar Cert registrou crescimento na certificação porque o Governo do Estado, diversas prefeituras municipais e o Sebrae incentivaram e subsidiaram os produtores orgânicos a buscar a certificação, que nesta área é compulsória. Além disso, produtores de outros países que querem entrar no mercado brasileiro precisam da certificação”, analisa Tânia.

SANTA ROSA - Localizado na Colônia Figueiredo, em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, o Sítio Santa Rosa está entre as propriedades paranaenses certificadas pelo Tecpar. São quatro alqueires, destinados exclusivamente à plantação de orgânicos, comercializados em três feiras semanais e em dois mercados da região.

À frente das plantações está Ludovico Carachenski, 67 anos, que cuida da lavoura junto com a mulher e seis filhos. O contato de Ludovico com a terra teve início aos cinco anos, quando ajudava os seus pais na lavoura. “Hoje, continuo com o ritual diário de cuidar do ciclo de vida de cada produto”, afirma ele.

Ludovico conta que o sítio Santa Rosa já foi utilizado para plantar alimentos convencionais. “Mas há 15 anos essa terra não recebe mais a ação de agrotóxicos”, afirma ele. “Antes, só plantávamos batata, milho e feijão. No começo era bom, mas depois os insumos para estes produtos ficaram muito caros e os alimentos muito baratos. Os agricultores não ganhavam quase nada”, conta.

A mudança do sistema convencional para o orgânico exigiu um pouco mais de trabalho. “É muito mais difícil produzir um alimento orgânico, pois todo o trabalho é manual. Os produtos não ficam tão bonitos quando os convencionais porque não se usa agrotóxico. Não se usa nada, só adubo orgânico”, ressalta Ludovico.

Entre as plantações é possível encontrar uma variedade enorme de alimentos: cenoura, batata, alface, tomate, couve, abobrinha, pepino, beterraba, repolho, brócolis, morango, quiabo, berinjela, milho, batata doce, espinafre, abobora, cebolinha, salsa, feijão vagem. A esposa de Ludovico, Elaine, fabrica geléia.

Nos dias de feira, a família acorda às 4 horas da manhã para carregar o caminhão e organizar a tenda. Quando não há feira, o dia começa às 5 horas, na lavoura. “Cuidar da lavoura é o que eu sei fazer. Eu amo estar perto da terra”, afirma com sorriso o agricultor.

EM RIBEIRÃO CLARO – Ribeirão Claro, no Norte Pioneiros, é um dos municípios com forte concentração de propriedades certificadas pelo Tecpar. Dos 27 agricultores que formam a Associação de Produtores Orgânicos (APO), 18 têm propriedades certificadas. No último ano, o volume de vendas chegou a R$ 450 mil, somadas as produções de todos os agricultores.

Para a presidente da APO, Maria Luizete Brambila, que também é produtora, a associação é uma forma de melhorar o trabalho de todos. “Na APO os produtores têm mais facilidade para comercializar os seus produtos e encaixar os alimentos produzidos no mercado”, diz ela.

Atualmente, os associados estão se organizando para que cada um possa produzir determinados itens, sem gerar concorrência entre eles. “Vamos nos dividir para que cada um produza e venda diferentes produtos. Além disso, logo vamos começar a fazer alimentos processados.”

A associação tem parceria com o Governo do Estado e os municípios para fornecer alimentos para a merenda escolar. Os produtos são comercializados, também, em feiras de Ribeirão Claro e junto a supermercados e restaurantes de cidades vizinhas, como Chavantes e Ourinhos.

A Emater dá assistência aos produtores na agricultura familiar e na certificação. O Sistema Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e o Sebrae apoiam com treinamentos aos produtores e na negociação com os mercados da região.

Saiba mais sobre o trabalho do Governo do Estado em:

www.pr.gov.br e www.facebook.com/governopr

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