Gislayne Marques Tombolin, da Escola Estadual Padre Manoel de Nóbrega, em Cornélio Procópio,
Foto: SEED

No Paraná, qualificação profissional contribui para educação de qualidade

Mais de 620 profissionais da rede estadual de educação tiveram a oportunidade de afastamento remunerado de suas atividades docentes, pedagógicas ou administrativas para cursar Mestrado, Doutorado ou Pós-Doutorado entre 2012 e 2014. Essa é uma ação inédita no Estado e faz parte do compromisso do governo do Paraná para garantir uma educação de qualidade a mais de 1,3 milhão de alunos da rede.
A medida garante a formação continuada dos profissionais da educação do Paraná e contempla servidores do Quadro Próprio do Magistério (QPM) e do Quadro de Funcionários da Educação Básica (QFEB) que tenham sido admitidos em Programa de Pós-Graduação stricto sensu reconhecido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), para que possam se dedicar exclusivamente aos estudos.
Anualmente, são ofertadas 300 vagas para afastamentos no período de até dois anos. O Núcleo de Curitiba foi o que mais contabilizou profissionais afastados, 109 no total, seguido dos Núcleos de Londrina (51), Cascavel (45), Ponta Grossa (44) e Maringá (41).
Para as professoras de Língua Portuguesa Fernanda Isidoro Valadão, do Colégio Estadual Doutor Aloysio de Barros Tostes, em Nova Fátima, e Gislayne Marques Tombolin, da Escola Estadual Padre Manoel de Nóbrega, em Cornélio Procópio, essa é uma oportunidade única para a formação profissional, que possibilita ao professor se afastar de sala de aula para repensar a prática docente.
Fernanda, que trabalha com alunos do 6º ao 9º ano, relatou que seria inviável fazer um mestrado se não fosse o licenciamento. A professora tem de percorrer semanalmente quase 100 quilômetros para chegar à Universidade Estadual de Londrina (UEL) e é a única docente no município que está finalizando uma pós-graduação stricto sensu. “Se não fosse o afastamento, não iria conseguir conciliar os horários de aula no Estado com os da Universidade. Além disso, o mestrado exige muita leitura e precisamos de tempo para aprofundar os conceitos estudados”.
Gislayne concorda. “Fazer um curso de mestrado estando em sala de aula é mais difícil, pois requer dedicação aos estudos. Preparar uma aula também exige tempo e dedicação. Assim, sem o afastamento, a qualidade de ambos fica comprometida”, comentou a professora, que participa do Programa de Mestrado Profissional em Letras (Profletras) na UEL, destinado aos docentes de Língua Portuguesa do ensino fundamental.
A bióloga e técnica administrativa Gisele Aparecida Fidelis, que auxilia professores no laboratório de Ciências do Colégio Estadual Sílvio Magalhães de Barros, em Maringá, e atualmente cursa doutorado em ensino de Biologia na Universidade Estadual de Maringá, afirmou que cursos de especialização proporcionam a atualização teórica dos profissionais. Gisele foi aprovada no último concurso público para integrar o quadro de professores do Estado e vê no afastamento uma valorização profissional de docentes e técnicos.
Para a professora de História e doutora em Educação Especial Lúcia Gouvea Buratto, que no ano passado atuou na Sala de Recursos Multifuncional do Colégio Estadual Bento Mossurunga, em Ivaiporã, os resultados das intervenções e pesquisas realizadas nesses cursos apresentam indicadores que poderão subsidiar a elaboração de políticas públicas na área educacional.
Lúcia está afastada para cursar pós-doutorado na área de Psicologia pela Universidade Federal de São Carlos, São Paulo. A professora atua com a formação de professores e agentes indígenas de saúde para prevenção do alcoolismo na Terra Indígena Ivaí, município de Manoel Ribas, região central do Estado, e orienta aos alunos dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio em relação à Síndrome Alcóolica Fetal.
Durante o período de afastamento para o pós-doutorado, a professora, que já atuou no Núcleo Regional da Educação de Ivaiporã como coordenadora de Educação Escolar Indígena e fez parte da equipe de Educação Especial, realizou um curso de capacitação para professores indígenas e agentes indígenas de saúde sobre prevenção de deficiência e inclusão de indígenas com deficiências na Terra Indígena Faxinal, em Cândido de Abreu.
“O afastamento do professor de suas atividades para o aprofundamento dos estudos contribui de forma significativa para a melhoria da qualidade da educação”, apontou a docente, que possui artigos publicados em periódicos.
SEED – Segundo os técnicos pedagógicos do Departamento de Educação Básica da Seed, Tiago Rocha e Lucimar Gusmão, afastados em 2012 para finalizarem o Mestrado ofertado pela Universidade Federal do Paraná na área de Educação em Ciência e Matemática, todo o aprendizado adquirido foi empregado em ações cotidianas desenvolvidas pelo departamento, que produz orientações pedagógicas relativas às disciplinas do currículo.
De acordo com Lucimar, responsável pela disciplina de Matemática, o licenciamento é essencial para que o profissional possa se dedicar à pesquisa, a qual exige tempo para leitura e requer maior diálogo com o orientador. “O professor nunca para de estudar. Ele tem de se aperfeiçoar constantemente e o mestrado contribui com a formação do professor-pesquisador”, comentou.
Opinião compartilhada por Tiago, que há nove anos atuou como professor de Física no Colégio Estadual Júlio Szymanski, em Araucária, Região Metropolitana de Curitiba. O professor pesquisou sobre o ensino de Física Moderna e Contemporânea na Educação Básica e aplicou o que aprendeu com alunos do 4º ano do curso de Formação de Docentes.
Para ele, o mestrado proporcionou um novo olhar sobre a prática pedagógica em sala de aula. “Desenvolvi uma proposta didática que contemplava o estudo de Física Moderna por meio da abordagem histórico-filosófica da Ciência. É importante que os alunos vejam a Física como uma ciência presente no dia a dia e que está em constante transformação”, apontou Tiago, que vê no benefício concedido um ganho para a educação, já que o profissional devolve à sociedade o conhecimento adquirido.
Desde 2012, os cursos de pós-graduação stricto sensu são reconhecidos para progressão. Até então, apenas quem cursava o Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE) poderiam atingir o último nível na carreira.
PDE – Além do processo de afastamento para cursos de mestrado e doutorado, a Secretaria da Educação mantém o Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE), realizado em parceria com a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e com 14 instituições públicas de ensino superior do Estado.
O programa é desenvolvido em dois anos e destinado aos servidores QPM. O afastamento também é remunerado e no primeiro ano o profissional fica totalmente afastado de suas atividades de docência para se dedicar aos estudos teóricos. No segundo ano, o profissional volta para a sala de aula, podendo dedicar 25% da carga horária para aplicação prática de sua pesquisa na rede de ensino e o restante do tempo aos estudos.
“Os cursos stricto sensu e o PDE proporcionam aos profissionais da educação se especializar em sua área de conhecimento e promove a articulação entre o saber teórico e a ação político-pedagógica. É a valorização dos profissionais da educação no Estado, que, ao se capacitarem, contribuem ainda mais para a na melhoria da educação na região”, ressaltou o coordenador de Articulação Acadêmica da Secretaria, Cassiano Roberto Ogliari.
De 2011 a 2014 passaram pelo PDE mais de 6.700 professores.

Saiba mais sobre o trabalho do governo do Estado em:
http:///www.facebook.com/governopr e www.pr.gov.br

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