A secretaria do Meio Ambiênte e Recursos Hídricos e o IPARDES, lançam publicação que traz novos Indicadores Ambientais, Sociais, Econômico e de Gestão de Saneamento do Estado. N/F: secretário de Meio Ambiênte e Recursos Hídricos, Luiz Eduardo Cheida.Curitiba, 18-12-13.Foto: Arnaldo Alves / ANPr.

Publicação mostra realidade ambiental, recursos naturais e atividades humanas

O Paraná consome por ano 96,1 milhões de quilos de agrotóxicos, que representa mais de 9 quilos por hectare de área plantada. A maior quantidade desses produtos está localizada na região da Bacia Hidrográfica do Rio Piquiri (centro-sul), seguida das bacias do Baixo Iguaçu (sudeste), Alto Ivaí (entre as regiões norte e central), Paraná 3 (oeste) e Paraná 2 (oeste). É também nessas regiões que estão os agrotóxicos de maior periculosidade ambiental, considerados extremamente tóxicos.
Os dados, inéditos, fazem parte da publicação "Indicadores de Desenvolvimento Sustentável por Bacias Hidrográficas do Paraná", lançada nesta quarta-feira (18) pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos em parceria com o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes).
Os indicadores de desenvolvimento sustentável - estatísticas que resumem aspectos do meio ambiente, dos recursos naturais e de atividades humanas - reúnem dados ambientais, sociais, econômicos, de saúde, gestão e saneamento. O levantamento é considerado pioneiro no país, pois adota pela primeira vez a bacia hidrográfica como unidade de análise.
O secretário estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Luiz Eduardo Cheida, ressalta que o material representa uma ferramenta fundamental para a tomada de decisões e para a elaboração de ações. "Sem indicadores confiáveis o gestor ambiental trabalha no escuro. Se queremos soluções e políticas públicas eficazes, precisamos de dados como estes. Esperamos que essas informações contribuam para as diversas instâncias públicas e privadas, universidades e sociedade em geral".
O estudo vai subsidiar a elaboração, em 2014, da Conjuntura dos Recursos Hídricos do Paraná - documento que reunirá todas as informações detalhadas sobre o uso, qualidade e gestão das águas no estado. "O Paraná será o primeiro estado do Brasil a apresentar o documento, que é um acompanhamento periódico e permanente da situação dos nossos rios e resultados da sua gestão", anuncia Cheida. PESQUISA - O estudo realizado pelo Ipardes usa o ano de 2011 como base e dá continuidade a uma série de publicações iniciada em 2007, que segue recomendações da Comissão para o Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), com adaptações às especificidades brasileiras.
A pesquisadora do Núcleo de Estudos Regionais e do Meio Ambiente do Ipardes, Ana Cláudia Müller, coordenadora da publicação, acredita que os novos indicadores possibilitam ao Paraná inserir as variáveis dos custos ambientais, sociais e de saúde da população em suas políticas públicas e com isso avançar mais uma etapa na proposta mundial de desenvolvimento sustentável. "Outro grande mérito é que estudo é de fácil compreensão não só para governantes mas para a população como um todo", diz Ana Cláudia.
DADOS - Além de estatísticas ambientais, sociais, econômicas, de saúde, gestão e saneamento, os Indicadores de Desenvolvimento Sustentável por Bacias Hidrográficas do Paraná analisam características específicas de cada bacia hidrográfica, incluindo dados populacionais, conservação dos recursos naturais existentes em cada bacia, atividades agrícolas, índices de coleta de lixo, entre outros.
No indicador ambiental, o estudo avaliou ainda a extensão total de cobertura vegetal remanescente no Paraná, revelando que 2,43 milhões de hectares, ou 12,18% do seu território, são cobertos por florestas; a quantidade de florestas plantadas, que equivale a 856,86 mil hectares ou 4,7% da área total do estado; e o uso do solo, que é utilizado predominantemente pela atividade agropecuária, com 78% de ocupação.
O trabalho também analisou a fauna estadual e constatou que a espécie mais ameaçada no Paraná são as aves, com 48%, seguida dos mamíferos (33%), peixes (14%), répteis (1,64%) e anfíbios (1,64%). "Esses números nos dão noção da escala de prioridade de proteção ambiental", aponta o secretário Cheida.
Ainda foram levantados dados sobre área protegidas, qualidade das águas, recursos hídricos, recursos energéticos, qualidade do ar em áreas urbanas, transporte de passageiros e vulnerabilidade socioambiental.
Para chegar ao indicador social, foram analisados a dinâmica populacional, situação social, analfabetismo e saúde, enquanto o indicador econômico reúne informações sobre Produto Interno Bruto (PIB), emprego formal, estrutura fundiária, atividades agropecuárias e produção orgânica. Já o indicador de gestão e saneamento traz dados sobre os serviços de escoamento das águas pluviais, abastecimento de água, esgotamento sanitário e coleta e destino dos resíduos sólidos.
AGROTÓXICOS - O levantamento constatou que no ano de 2011 foram usados na região da Bacia do Piquiri 19,3 milhões de quilos de agrotóxico. Já nos municípios que abrangem as bacias do Baixo Iguaçu, Alto Ivaí, Paraná 3 e Paraná 2 foram encontrados respectivamente 14,8 milhões, 12,10 milhões, 10,04 milhões e 223 mil quilos. Onde há maior consumo de agrotóxico a atividade dominante é a agricultura intensiva, com predomínio das culturas de soja e milho - principais cultivos paranaenses e que seguem em expansão.
Ainda conforme a pesquisa, em 80% das maiores propriedades agrícolas - aquelas com mais de 100 hectares - foi verificado o uso de agrotóxico. Nas propriedades consideradas médias, que possuem entre 10 e 100 hectares, o percentual de agrotóxico é de 36%. Já nas propriedades pequenas, com até 10 hectares, o número cai para 27%.
O estudo ainda revela um aumento de 20% no volume total de agrotóxicos comercializados no Paraná: em 2008 foram 19,5 milhões de quilos contra os 96,1 milhões de 2011. "Se o gestor público pensa no bem-estar da população, que é o seu trabalho, deve se debruçar sobre essas estatísticas", comenta Cheida.
O Paraná é o terceiro maior consumidor de agrotóxicos do Brasil, mas também é o estado que mais coleta e dá a destinação correta às embalagens. Segundo dados do Instituto Nacional de Processamento de embalagens Vazias, (Inpev), o Programa Estadual de Coleta de Embalagens Vazias de Agrotóxicos recolheu em 2011 4,49 milhões de quilos de embalagens.
Participaram da cerimônia de lançamento dos Indicadores o diretor de estatística do Ipardes, Daniel Nojima; a coordenadora de monitoramento e avaliação da Secretaria Estadual do Planejamento e Coordenação Geral, Elizabeth de Azevedo; o diretor-geral da secretaria da Agricultura e Abastecimento, Otair Martin; o presidente do Ibama, Jorge Callado; e o deputado estadual Rasca Rodrigues.
Também estiveram presentes representantes da Copel, da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), da ONG Mater Natura, da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP), da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e do Instituto das Águas do Paraná.
A publicação está disponível para download no site da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos: www.meioambiente.pr.gov.br
Saiba mais sobre o trabalho do governo do Estado em: http:///www.facebook.com/governopr e www.pr.gov.br

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