O secretário da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, participa do encerramento e premiação do Concurso Café Qualidade. Também estiveram presentes no evento; Paulo Franzine, secretário executivo da Câmara Setorial do Café, Luiz Antoni Leichoski, prefeito de Siqueira Campos, presidente do Instituto Iapar, Florindo Dalberto, presidente do Instituto Emater, Rubens Niederhetmann, e demais autoridades.Siqueira Campos, 31-10-12Foto: Arnaldo Alves / ANPr.

Governo vai comprar café premiado com ágio para estimular produção de qualidade

O secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, anunciou nesta quarta-feira (31) duas medidas para incentivar a produção de café de qualidade no Paraná. O governo do Estado vai comprar, com ágio de 25%, todos os lotes de café especial premiados no Concurso Café Qualidade Paraná. O Estado também investirá R$ 2,5 milhões para implantar 330 unidades demonstrativas de tecnologia cafeeira em propriedades rurais.
O anúncio foi feito durante a cerimônia de encerramento e premiação da 10ª edição do Concurso Café Qualidade Paraná 2012, realizada nesta quarta-feira (31) no município de Siqueira Campos, Norte Pioneiro do Estado. A compra dos lotes premiados, autorizada pelo governador Beto Richa, atende a um compromisso assumido por Ortigara no ano passado. São 15 lotes de café. A iniciativa visa incentivar a produção de cafés especiais, que garante mais renda ao cafeicultor.
Segundo Ortigara, depois de ver o volume de produção cair drasticamente desde a década de 1970, o Paraná não almeja mais ser um grande produtor de café, em quantidade, mas sim investir na qualidade.
Ele lembrou que a produção de café no Paraná perdeu espaço para outras culturas desde as fortes geadas da década de 70. O volume produzido no Estado caiu de 22 milhões de sacas por ano para 2 milhões de sacas por ano. “Nossa intenção é produzir 2 milhões de sacas de café bem feito no Estado, com qualidade e que seja reconhecido pelo mercado”, disse Ortigara. “Temos potencial de clima, solo, conhecimento da pesquisa agronômica e da extensão rural que está ensinando o cafeicultor um novo jeito de produzir”, disse.
Ele lembrou que a produção de café deve ser associada a outras atividades na propriedade rural, como a produção leiteira, a horticultura e a produção de frutas, entre outras. “O importante é garantir a renda do produtor para que ele continue investindo na qualidade da produção, que é o que realmente agrega valor”, explicou.
COMPRA – O café premiado será remunerado conforme a cotação do café da Bolsa de Mercadorias e Futuro do dia 30 de outubro, que fechou em US$ 202,90 (a R$ 412,05). Com o ágio de 25%, o cafeicultor premiado irá receber R$ 515,00 por saca.
Segundo o coordenador do concurso, Paulo Franzini, o preço é atraente se se considerar que no mercado o preço do café está variando entre R$ 360,00 a R$ 380,00 a saca. Houve interesse por parte da indústria de café em comprar parte dos lotes de cafés especiais premiados. O secretário liberou a compra desde que paguem acima do valor fixado pelo governo do Estado, com ágio.
“Foi a forma que encontramos para que o cafeicultor busque cada vez mais um desempenho melhor no campo, na qualidade da bebida colocada na xícara e, melhor ainda, no seu bolso”, disse Ortigara. “Em anos anteriores esses lotes eram arrematados pela indústria e misturados ao café comum”, explicou.
Este ano a secretaria conseguiu patrocínios do Banco do Brasil, Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Ocepar, Faep, Fiep e Itaipu que compraram cotas dos lotes de cafés especiais.
Esse café será torrado, moído, colocado em embalagens especiais de 250 gramas e devolvido às empresas patrocinadoras, em volume proporcional à cota adquirida, para utilização em ações de marketing. A ideia é que elas distribuam o produto a clientes preferenciais, ajudando a disseminar o reconhecimento do café paranaense.
UNIDADES DEMONSTRATIVAS – As 330 unidades demonstrativas que serão instaladas em propriedades rurais em 2013 deverão servir de referência pra outros produtores na aplicação e difusão de tecnologia de produção de café.
Equipes técnicas do Instituto Emater e do Iapar vão trabalhar com os produtores para tornar ideais os processos de produção nas propriedades escolhidas.
CONCURSO - Na 10ª edição do Concurso Café Qualidade Paraná 2012 foram classificados 15 cafeicultores do primeiro ao quinto prêmio nas categorias Natural, Microlotes (da Agricultura Familiar) e Cereja Descascado. Todos obtiveram nota acima de 75 pontos. O concurso teve 300 inscritos, dos quais 30 foram finalistas.
Foram vencedores na categoria Natural os cafeicultores Edson Lopes, de Mandaguari (5º prêmio); José Carlos Rosseto, de Mandaguari (4º prêmio); Lúcia de Morais Santos, de Grandes Rios (3º prêmio); Luiz André Boraneli, de Curiúva (2º prêmio) e Egon Prezoto Bertolaccini, de São Jerônimo da Serra, o campeão da categoria.
Foram vencedores na categoria Microlotes os cafeicultores José Aparecido Sanches, de Terra Boa (5º prêmio); Fabiano Ricardo Cedran, de Mandaguari (4º prêmio); Zildo Arantes Tomáz, de Santo Antonio da Platina (3º prêmio); Mario Alex dos Santos, de Grandes Rios (2º prêmio) e Nilson Quintino da Silva, de Japira, o campeão da categoria.
Foram vencedores na categoria de Cereja Natural os cafeicultores Luiz Fernando de Andrade Leite, de Nova Fátima (5º prêmio); Osvaldo Garcia, de Cornélio Procópio (4º prêmio); Antonio Olimpio Liranço, de Cornélio Procópio (3º prêmio); Rodrigo Otávio Oliveira da Luz, de Carlopolis (2º prêmio) e Ossi Cruz de Oliveira, cafeicultora de Japira a grande campeã da categoria.
Os vencedores do primeiro ao terceiro classificados receberão prêmio em dinheiro: R$ 2 mil para os terceiros colocados, R$ 3 mil para os segundos colocados e R$ 5 mil para os primeiros colocados, que ainda irão concorrer no Concurso Nacional de Qualidade do Café, promovido pela Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café) pela internet, no final desse ano ou início do próximo.
O representante da Abic, Ewaldo Wachelke, disse que os cafeicultores paranaenses estão se destacando pela qualidade do café. “Nos últimos sete anos, os cafeicultores paranaenses sempre subiram ao pódio do Concurso Nacional de Qualidade do Café, promovido pela Abic, ao lado de bons cafés produzidos em Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Espírito Santo”, disse.
Os cafés premiados no concurso nacional serão leiloados internacionalmente como os melhores cafés do Brasil, explicou Wachelke.
Campeões
Os vencedores do concurso atribuíram ao esforço e dedicação intensiva à produção os prêmios alcançados. Egom Bertolaccini, vencedor da categoria Natural, disse que o clima de serra de São Jerônimo da Serra contribuiu para a qualidade da produção, atribuída também à experiência de 30 anos com a cultura. Outros fatores citados pelo produtor foram os cuidados com o manejo pós-colheita, que inclui a secagem, despolpa, colocação de telas protetoras no terreiro e armazenagem.
O cafeicultor Nilson Quintino da Silva, vencedor na categoria da pequena propriedade da agricultura familiar, disse que a cultura do café exige dedicação – segundo ele, trabalha das 7 horas da manhã às 9 horas da noite, sempre mexendo nos grãos colocados no terreiro para não estragar a bebida.
A cafeicultora Ossi Cruz de Oliveira Lima é filha, neta e esposa de cafeicultor. Para ela, o concurso valoriza o pequeno agricultor paranaense que vem se dedicando com afinco a uma produção de qualidade.
De acordo com o extensionista da Emater Cilesio Abel Demoner, a produção de café de qualidade exige dedicação e mão de obra qualificada – que é cada vez mais escassa e cara. O desafio, apontou, é introduzir a mecanização na colheita de café. Segundo ele, os pequenos cafeicultores precisam se unir nas cooperativas e associações de classe, reduzindo custos. Ele exemplificou informando que uma máquina colhedora de café custa entre R$ 360 mil a R$ 500 mil.



Saiba mais sobre o trabalho do Governo do Estado em:
http:///www.facebook.com/governopr e www.pr.gov.br
O secretário da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, participa do encerramento e premiação do Concurso Café Qualidade. Também estiveram presentes no evento; Paulo Franzine, secretário executivo da Câmara Setorial do Café, Luiz Antoni Leichoski, prefeito de Siqueira Campos, presidente do Instituto Iapar, Florindo Dalberto, presidente do Instituto Emater, Rubens Niederhetmann, e demais autoridades.Siqueira Campos, 31-10-12Foto: Arnaldo Alves / ANPr.
Acesse a galeria de fotos
Recomendar esta notícia via e-mail:
Encontrou algum erro