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06/11/2017

Inovação tecnológica está mudando o perfil da sericicultura no Paraná


A renovação do perfil do produtor e a inovação tecnológica na sericicultura projetam fortalecer a atividade no Paraná nos próximos anos. O Estado é o maior produtor de fio de seda no País, sendo responsável por 84% da produção nacional. A meta é expandir a produção para atender a demanda mundial de mercado por fios de seda com qualidade, que é o diferencial da produção no Paraná e que o torna competitivo até com a China, que é a maior produtora de fio de seda do mundo. Atualmente, países como França, Itália, Suiça e Japão, onde se concentra a alta costura, são os maiores compradores de fio de seda brasileiro, tendo o Paraná como líder na produção. A indústria que processa os fios, a Bratac, com sede em Londrina, trabalha com 30% da capacidade de produção e agora está empenhada em ocupar esses mercados existentes no mundo. De acordo com a engenheira agrônoma do Deral, o Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura e Abastecimento, Gianna Círio, está havendo uma renovação no perfil do sericicultor porque muitos produtores saíram da atividade, que está sendo ocupada pelos mais jovens.// SONORA GIANNA CIRIO//Com a entrada de pelos menos 50 produtores jovens, o resultado dessa nova onda deve ficar mais evidente e promissor dentro dois anos, quando as novas áreas implantadas devem estar em produção. De acordo com o Deral, estão presentes na sericicultura 1867 pequenos produtores, com área média de até 2 hectares cada um, em 161 municípios no Estado, a maioria nas Regiões Norte e Noroeste. Atualmente, são cerca de 2017 barracões ativos que abrigam os casulos. Nessa área ainda são cultivadas as amoreiras, cujas folhas servem de alimentos para os bichos da seda, que vão gerar o fio da seda. A atividade movimentou 39 milhões de reais em faturamento na safra passada. Esse cenário representa cerca de um terço do que existia em 2007, ano que antecedeu a grande crise mundial que fez recuar as atividades econômicas em todo o mundo, e a sericicultura paranaense sofreu com esse impacto. De acordo com a engenheira agrônoma Gianna Círio, naquela época havia 15 mil hectares ocupados com o cultivo da amoreira, espalhados em 229 municípios, com cerca de 6.000 produtores. Além da Bratac, em Londrina, outras empresas foram fechando ao longo só últimos anos. De acordo com Gianna Círio, o que manteve a atividade no Paraná foi a qualidade elevada da produção.// SONORA GIANNA CÍRIO//Os produtores trabalham num sistema integrado, responsáveis pela criação do bicho da seda até a formação dos casulos. O trabalho de inovação tecnológica com a sericicultura vem sendo impulsionado pelo Iapar, o Instituto Agronômico do Paraná, pelas universidades, e capitaneado pela Emater, responsável pela implantação no campo. Há dois anos, a Emater implantou Redes de Referências em 15 municípios do Noroeste do Estado, onde demonstram todos os avanços tecnológicos disponíveis para a atividade. As instalações permitem ao agricultor controlar e monitorar a produção em canteiros elevados, que facilitam e agilizam a atividade. Além disso, o manejo com os bichos da seda foi automatizado com roldanas sobre os canteiros elevados, que reduziu o trabalho manual e exaustivo. Outra preocupação é com a vedação dos barracões, com sistemas de cortinas como as adotadas pela avicultura. Com as Redes de Referência, de fevereiro a abril deste ano, pelo menos 350 produtores foram visitar as instalações, interessados em iniciar na atividade ou melhorar a produção já existente. (Repórter: Priscila Paganotto)


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